Posts Tagged ‘Reflexões’

Xii, o que praí vai!

14 de Fevereiro de 2015

Drones-Pueden-causar-accidentes-de-aviacion-2

Começo por chamar a atenção para três artigos recentes:

Está a preparar-se legislação portuguesa para regular a utilização de aeronaves remotamente pilotadas usualmente conhecidas como “drones”. Recentemente houve um seminário organizado pelo INAC (Instituto Nacional de Aviação Civil ) onde estiveram representadas várias entidades entre as quais a CNPD (Comissão Nacional de Proteção de Dados).

Pelos vistos voar num jardim e filmar pessoas do ar é uma violação da vida privada. E se o filme for feito a partir de um telemóvel ou máquina fotográfica no solo não é também? Para além de que uma pessoa consciente não voa por cima de pessoas mas esta é a parte complicada, o bom-senso não se vende nas farmácias.

Do meu ponto de vista acho que se estão a misturar vários usos dos ditos “drones”. Há os veículos aéreos não tripulados autónomos e há os veículos aéreos pilotados remotamente. Dentro destes ainda há o uso comercial para captação de imagem, inspecções técnicas, etc, o uso para investigação e há ainda o uso amador.

Muito antes de haver toda esta conversa em redor dos “drones” já havia o aeromodelismo com réplicas de veículos aéreos ou então experimentações. Alguns destes podiam fazer voos não tripulados autónomos com ou sem captação de imagem e durante décadas foi assim, nunca houve problemas com a aeronáutica cívil, militar ou potenciais violações da privacidade.

Eu no meu caso vejo-me mais como um “aeromodelista” que voa um veículo experimental, neste caso um quadcopter. Foi no aeromodelismo que comecei com modelos de avião em balsa à cerca de 25 anos e em que era necessário ter cuidado com os locais de voo, não podia ser em qualquer local. Na altura fiz parte de um clube de aeromodelismo e fui federado com direiro a seguro de responsabilidade cívil.

Isto tudo para dizer que a legislação deve ir ao encontro da regulação do uso profissional dos ditos “drones” e também para limitar os prevaricadores de actividades ilegais sejam elas quais forem. O uso amador e experimental deve cair na actual regulamentação do aeromodelismo cujos intervenientes normalmente já tem a preocupação de salvaguardar pessoas e bens, pelo que aqui não há nada de novo.

Sem falar que, como em muita coisa na vida, o bom senso deve prevalecer sempre. Se algo parece perigoso é porque realmente deve ser.

O “Jogo” da Austeridade

10 de Setembro de 2012

Quando eu era jovem (não me lembro a idade ao certo mas devia andar no secundário) passei muitas horas entretido com o jogo Simcity. Tratava-se de um “simulador” em que somos responsáveis por gerir uma cidade, tipo presidente da câmara.

O jogo tinha inúmeras variáveis, permitia a contrução de prédios, estradas, escolas, quartéis de bombeiros, esquadras de polícia, centros comerciais, etc.. Tinha ainda catástrofes aleatórias como tornados, terramotos e até podia aparecer o Godzilla para trazer infortúnio e desgraça aos habitantes da cidade gerida por nós.

Como qualquer cidade que se preze, há um orçamento para gerir e que está dependente da contribuição dos habitantes sob a forma de impostos. Todas as infraestruturas construídas têm um custo de manutenção e podem ter mais ou menos recursos alocados com maior ou menor degradação e a consequente insatisfação dos habitantes quando as coisas não correm bem.

Com tanta infraestrutura construída para atrair população e para ter maior retorno financeiro sob a forma de impostos, há uma altura em que se começa a ter problemas de liquidez e o dinheiro cobrado não chega para as despesas. Uma forma de começar a equilibrar o “cash flow” é aumentando os impostos de forma ligeira e tentar limitar as despesas com infraestruturas. Vamos avançando no jogo e como não se resolve o problema vamos aumentando os impostos, a população começa a ficar insatisfeita, começam os tumultos e há mudanças para outras cidades. Depois baixa-se os impostos, aumenta a população, as construções/infraestruturas e repete-se tudo.

Agora mais de 20 anos passados compreendo que o que eu fazia era aplicar austeridade! Quem iria imaginar, muito menos eu, que estava a aplicar uma “medida económica” para ajudar a recuperar as contas da cidade que eu geria?

Comparando com a realidade actual dos portugueses e com o que se está a passar em Portugal, a diferença é quase nenhuma mas isso não faz de mim um génio da economia precoce nem sequer um potencial primeiro-ministro ou presidente da câmara. Trata-se, tal como no jogo, de uma medida de desespero quando não há mais nada a fazer para tentar recuperar a liquidez das contas do país com todos os impactos negativos de destruição da economia e acima de tudo, da destruição da qualidade de vida dos cidadãos que não conseguem fugir à mão pesada do estado sob a forma de aumento de impostos directos e indirectos. Isto para os que têm a sorte de não perder o emprego ou que têm de ter mais que um para manter uma qualidade mínima de vida.

Espero que tal como no jogo Simcity, passado algum tempo o nível de vida volte ao que era antes, os empregos aumentem e que os impostos baixem. E que com a experiência a cada “jogo” das contas do país, as lições anteriores ajudem os governos a antecipar os problemas e a tomarem medidas preventivas para que os efeitos da austeridade não sejam tão severos para a população como estão a ser agora.

Se eu aprendi isto quando era um “jovem inconsciente”, governantes e formados em enconomia também conseguem.