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Pagamos pelos serviços grátis da Internet?

3 de Abril de 2010

Numa sociedade movida pelo lucro e procura de prosperidade económica através da venda de produtos e serviços diversos, existem muitos destes que se vão tornando cada vez mais indispensáveis para a vida moderna mas que têm uma característica comum, são grátis.

No entanto, alguns destes produtos e serviços que falo não estão disponíveis na loja da esquina (às vezes até podem estar), é necessário ter acesso à Internet para se poder usufruir deles.

Claro que hoje em dia nos países mais modernos temos acesso à Internet em todo o lado, em casa, no escritório, no quiosque da esquina e graças aos operadores móveis, em todo o lado onde haja rede de telemóvel. Por isso temos virtualmente acesso em todo o lado aos serviços e produtos que vou falar.

Agora que está estabelecido que temos acesso a todos eles em praticamente qualquer lugar, vamos concretizar. Os produtos e serviços que falo, encontram-se na Internet e podem ir desde uma conta de email como a do Gmail até a um produto do tipo office que podemos descarregar, como por exemplo, o OpenOffice e que está disponível para vários sistemas operativos e arquitecturas de computadores.

Com a facilidade a que acedemos a estes produtos e serviços, muitas vezes não damos conta que tiveram de ser criados por alguém ou por alguma empresa. São milhões de homens/hora que foram despendidos para a criação e desenvolvimento de todos estes produtos e serviço que usamos, se calhar diariamente.

Homens e Mulheres que sendo pagos para isso ou não, fizeram chegar até nós produtos que em muitos casos são os melhores na sua classe. Muitos destes produtos são desenvolvidos seguindo uma filosofia de partilha de código e das ideias, em alguns e felizmente muitos casos, com o apoio directo de empresas ou indirectamente através de cedência de tempo para projectos individuais. Temos como grande exemplo deste método o gigante Google que possibilita que 20% do trabalho dos seus empregados seja usado em outros projectos de interesse pessoal, contribuindo assim indirectamente para outros produtos e serviços.

Outro exemplo é o sistema operativo Linux que embora coordenado por um único indivíduo, Linus Torvalds, grande parte das contribuições vem de empregados de empresas como a IBM, Sun, Novell, Red Hat, etc e também de outras que podem ser bem mais pequenas e modestas. Indirectamente todas beneficiam pois acabam por vender soluções e produtos baseados no trabalho dos seus empregados neste projectos individuais, como por exemplo soluções de servidores Linux da IBM.

E onde é que eu quero chegar com tudo isto? Quero fazer com que as pessoas reflictam sobre um conjunto de produtos e serviços que têm ao ser dispor e pelos quais não pagam nada. Podem usar um programa tipo office na Internet como o disponibilizado pela Google ou descarregar um browser como o Firefox ou um sistema operativo completo como o Ubuntu Linux e tudo sem pagar nada. À medida que formos todos utilizando estes produtos e serviços vamos ficando cada vez mais dependentes deles até chegarmos ao ponto em que não vamos poder passar sem eles no nosso dia-a-dia.

Estamos todos preparados para este dependência? Conseguimos suportar a ausência de serviços como o Gmail mesmo que por apenas umas horas? E se tivermos que começar a pagar por eles? Temos alternativas?

Caminhamos para o chamado cloud computing onde não sabemos onde está o nosso trabalho e os nossos ficheiros ou email, tudo está na Internet e dependente desta. Se calhar é este o preço a pagar pelos serviços grátis que temos, a perda de controlo sobre a nossa informação. Será um preço que estejamos dispostos a pagar?

Por isso, usem e abusem dos serviços e produtos grátis que temos e que estão disponíveis na Internet mas sempre com a consciência que há pessoas que trabalham para que isso aconteça e mais, que estamos todos os dias a abrir mão do controlo sobre a nossa informação a troco de facilidade de utilização. Este é o preço que pagamos e nem vale a pena pensar no podem fazer com a nossa informação porque eventualmente já está a ser usada.

Comunidades na Internet e sua continuidade

27 de Março de 2010

Inúmeros projectos comunitários surgem na Internet todos os dias. É uma coisa maravilhosa a forma rápida como através de Blogs, Foruns ou mesmo do Twitter, diversas pessoas com interesses comuns se juntam e organizam em comunidades.

Reunem-se em jantares e almoços, encontros informais no café da esquina e falam do que os une, criam planos futuros e organizam eventos.

Aparece uma estrutura com um conjunto de elementos mais participativos que trabalham por amor à camisola e se vão esforçando para levar o projecto de comunidade mais longe.

No meio de todos estes há os que acompanham a comunidade para todo o lado nas mais diversas iniciativas mas sempre sem grande intervenção mas são estes que fazem também a comunidade estejam ou não mais envolvidos no rumo e trabalho envolvido.

Tudo corre bem até que os elementos que vão fazendo as coisas acontecerem começam a esmorecer devido ao menor envolvimento dos outros. A euforia inicial que todos tinham começa a diminuir, todos têm a sua vida particular e profissional ou outros projectos e começam a abandonar o trabalho em prol da comunidade.

Também o facto de muitos dos elementos que compõem a comunidade estarem mais interessados no que a comunidade lhes dá do que em contribuir de forma activa para a mesma faz com que os outros elementos comecem a pôr em causa a sua contribuição no projecto.

A minha questão é, o que fazer quando as coisas começam a chegar a este ponto? Pedir mais envolvimento dos elementos da comunidade? Mudança de liderança do projecto? Novas abordagens ao trabalho em equipa?

Se existir alguma fórmula para motivar as pessoas envolvidas numa comunidade a contribuir activamente para o crescimento da mesma, eu gostava de conhecer. Até ao momento ainda não encontrei a resposta.